Halston: “devo ser artista mesmo, pois sou péssimo nos negócios”
Minissérie documental sobre um dos mais importantes estilistas norte-americanos vai além das passarelas
Por Ana Lucia Venerando
Estamos de volta com Desligue
o Celular. Para celebrar seu retorno, vamos de minissérie. A dica é Halston, de Ryan Murphy, disponível na
Netflix desde o mês de maio. Uma produção belíssima. E não poderia ser diferente
pois os cinco episódios narram a trajetória do designer Roy Halston – criador dos elegantes chapéus usados por Jackie Kennedy e
um dos mais importantes estilistas nos agitados anos 70, contribuindo significativamente
para a revolução da moda daquele período com seus vestidos coloridos e
esvoaçantes.
Ewan McGregor, nosso querido jedi Obi-Wan Kenobi, vive
a intensidade de Halston em seus momentos gloriosos e decadentes. Mais uma vez McGregor
demonstra sua versatilidade em assumir protagonistas das mais diferentes nuances
e galáxias. De Alex, do assustador filme Cova
Rasa ao poeta Christian de Moulin
Rouge e por aí vai, McGregor
encanta com sua sutileza em “vestir” cada uma de suas interpretações, sempre
com muita primazia.
A série apresenta a tumultuada carreira do estilista em meio às mudanças
cada vez mais rápidas no cenário da moda e a sua relutância em adotá-las, a fim
de manter a qualidade e originalidade de suas peças. Um exemplo é sua recusa em
desenhar calças jeans para concorrer com Calvin Klein. Hilária sua frase ao
compará-las com “jardineiras” quando está sendo pressionado pelo CEO David
Mahoney (Bill Pullman) para “fazer o que o mercado quer”.
Com uma carreira diretamente influenciada por sua personalidade. Halston
é intolerante e tem uma latente inconstância emocional, indo da presunção à
insegurança. Seu refúgio são os relacionamentos tumultuados e as noitadas no
Studio 54.
Todo o glamour de Halston também é acompanhado pelas
atuações marcantes de Krysta Rodrigues (a Wandinnha no musical The Addams Family) na pele de Liza
Minelli, amiga inseparável do estilista; e de Vera Farmiga (Bates Motel), como a perfumista Adele,
personagem sem equivalência na vida real. Mas que tem papel fundamental no
enredo da série ao estimular insights
no protagonista sobre sua infância. Outro destaque é Rebecca Dayan (Tesla), na pele da italiana Elsa, uma
das primeiras modelos de Halston, amiga fiel e que, posteriormente, tornou-se
uma renomada designer de joias.
Halston pode parecer o mais do mesmo: o artista talentoso e arrogante
que se deixa levar pelas tentações do mundo, consequência de um lar abusivo. Só
que não. Quando se tem atores talentosos, produção e enredos bem amarrados vale
dedicar os cerca de 240 minutos da série.

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