segunda-feira, 3 de julho de 2023



Halston: “devo ser artista mesmo, pois sou péssimo nos negócios”

 


Minissérie documental sobre um dos mais importantes estilistas norte-americanos vai além das passarelas

Por Ana Lucia Venerando

Estamos de volta com Desligue o Celular. Para celebrar seu retorno, vamos de minissérie. A dica é Halston, de Ryan Murphy, disponível na Netflix desde o mês de maio. Uma produção belíssima. E não poderia ser diferente pois os cinco episódios narram a trajetória do designer Roy Halston – criador dos elegantes chapéus usados por Jackie Kennedy e um dos mais importantes estilistas nos agitados anos 70, contribuindo significativamente para a revolução da moda daquele período com seus vestidos coloridos e esvoaçantes.

Ewan McGregor, nosso querido jedi Obi-Wan Kenobi, vive a intensidade de Halston em seus momentos gloriosos e decadentes. Mais uma vez McGregor demonstra sua versatilidade em assumir protagonistas das mais diferentes nuances e galáxias. De Alex, do assustador filme Cova Rasa ao poeta Christian de Moulin Rouge e por aí vai, McGregor encanta com sua sutileza em “vestir” cada uma de suas interpretações, sempre com muita primazia.

A série apresenta a tumultuada carreira do estilista em meio às mudanças cada vez mais rápidas no cenário da moda e a sua relutância em adotá-las, a fim de manter a qualidade e originalidade de suas peças. Um exemplo é sua recusa em desenhar calças jeans para concorrer com Calvin Klein. Hilária sua frase ao compará-las com “jardineiras” quando está sendo pressionado pelo CEO David Mahoney (Bill Pullman) para “fazer o que o mercado quer”.

Com uma carreira diretamente influenciada por sua personalidade. Halston é intolerante e tem uma latente inconstância emocional, indo da presunção à insegurança. Seu refúgio são os relacionamentos tumultuados e as noitadas no Studio 54.

Todo o glamour de Halston também é acompanhado pelas atuações marcantes de Krysta Rodrigues (a Wandinnha no musical The Addams Family) na pele de Liza Minelli, amiga inseparável do estilista; e de Vera Farmiga (Bates Motel), como a perfumista Adele, personagem sem equivalência na vida real. Mas que tem papel fundamental no enredo da série ao estimular insights no protagonista sobre sua infância. Outro destaque é Rebecca Dayan (Tesla), na pele da italiana Elsa, uma das primeiras modelos de Halston, amiga fiel e que, posteriormente, tornou-se uma renomada designer de joias.

Halston pode parecer o mais do mesmo: o artista talentoso e arrogante que se deixa levar pelas tentações do mundo, consequência de um lar abusivo. Só que não. Quando se tem atores talentosos, produção e enredos bem amarrados vale dedicar os cerca de 240 minutos da série.


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